CIENTIFICISMO + LIRISMO

Mas a vida é tão maior que as palavras...

"(...)quando o acontecimento não cabe nas palavras, eu costumo usar as palavras, ao contrário, para caberem no acontecimento. Não é a mesma coisa, né, mas quase serve."

(Thami)

sábado, 15 de agosto de 2009

"Pequeno" desabafo / Descarga de pensamento

Não sou de criar muitas expectativas, nem sobre mim mesmo. (Acho isso uma boa coisa, resultado de lições bem aprendidas.)

Mas há uma que rotineiramente crio, e que rotineiramente se transforma em frustração. Quase sempre culpo as circunstâncias e/ou a outra pessoa e transformo a frustração em mau humor regado com decepção, mas no fundo sempre sei que o responsável sou só eu - e agora resolvi emergir esse insight.

Sobre a frustração, legítima e justa: me mata não conseguir ter uma conversa sobre a qual eu tenha criado alguma expectativa (não precisa ser uma conversa "séria"; só precisa que eu a tenha passado e repassado na cabeça pelo menos uma vez - o que não é raro).

Emergindo o insight: "não consguir ter uma conversa...". Não conseguir o caramba! A verdade mais escancarada é que em noventa e tantos porcento das vezes eu me recolho à insignificância dos resquícios do meu complexo de inferioridade.

Eu genuinamente adoro ouvir/ver um amigo virar pra mim e espontaneamente me contar alguma coisa que não tem nada a ver comigo - alguma coisa que eu não tenho motivo nenhum pra querer ouvir além dos simples fatos de que 1) eu gosto da pessoa, 2) me interesso por qualquer detalhe "banal" da vida dela e, mais importante, 3) me faz um bem imensurável a pessoa querer me contar detalhes "banais" da vida dela.

Mas eu pareço não ter a capacidade de pressupor que a recíproca possa ser verdadeira. Mais até: pareço não ser capaz de não pressupor que o contrário é verdadeiro. E pior ainda é que em nenhum nível isso é consciente e, muito menos, racional - parece toc, for Christ's sake.

Quando eu julgo uma boa hora pra ir e começar a falar, sempre, e aí é 100% mesmo, qualquer coisa - inclusive nada - é desculpa pra o pressuposto negativo surgir de sei lá onde e me subjulgar sem nem precisar tentar, e eu ficar quieto, deixar a conversa seguir qualquer outro rumo, chegar em casa de noite e ficar resmungando comigo mesmo.

Pelo amor né... Haja Santa paciência, porque a minha acabou. ¬¬

Um comentário:

De Paula disse...

Pelo menos você consegue conversar sobre coisas mais necessários de detalhes banais. Tem gente (eu, nos piores dias) que mal consegue perguntar onde é o banheiro de tanto complexo de inferioridade ou timidez.