CIENTIFICISMO + LIRISMO

Mas a vida é tão maior que as palavras...

"(...)quando o acontecimento não cabe nas palavras, eu costumo usar as palavras, ao contrário, para caberem no acontecimento. Não é a mesma coisa, né, mas quase serve."

(Thami)
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domingo, 6 de setembro de 2009

Jantar com amigos

[Esse texto já tá aqui no blog, mas escondido no meio de uma postagem maior. Já que tô organizando meus favoritos aqui, quis, claro, colocá-lo na lista, então achei por bem "resgatá-lo", escancará-lo.]
[Texto de 2007, de antes de eu ter o blog.]



Jantar com amigos


-Tem certeza de que não quer comer nada?

-Tenho... Tenho sim, brigado. Não tô com fome não. Acho que sou movido a felicidade – soou ridículo, por isso todos riram e continuaram a jantar e a conversar. Gostava de dizer bobagens, fazer palhaçadas, comentários engraçados... gostava de fazê-los rir.

Mas, desta vez, falara sério, mesmo que em tom de brincadeira. Realmente não sentia fome. Nem tédio, sono, cansaço ou qualquer outra dessas sensações ruins que se sente a toda hora. Ou melhor, quase a toda hora. Porque não sentia nada disso quando estava com os amigos. Por que não sentia nada disso? Só sabia mesmo era que não sentia. Amizade. Amizade... Amizade tem mesmo dessas coisas estranhas... sem sentido... boas... Amizade... Será que aquelas pessoas ali, jantando, conversando, sabiam que causavam tal inexplicável efeito em alguém? que eram tão importantes na vida de alguém? Provavelmente não. Será que era assim tão importante para elas também...? Não era algo muito agradável de se pensar... principalmente para alguém com o tal “complexo de time pequeno”. Aquela história do futebol, que o time pequeno sempre se acha inferior aos demais, sempre abaixa a cabeça para os grandes, achando-se indigno de estar entre eles, porque eles são tão melhores etc e tal... Costumava ver a amizade, de certa forma, dividida em duas: o Sentimento de Amizade e a Amizade em si. O Sentimento é a parte individual, a parte que depende de somente um dos dois lados, era disso que realmente entendia, nisso que realmente gastava horas pensando. A Amizade em si é mais, é maior, é a evolução do Sentimento dos dois lados, é convívio, contato, sintonia, depende do Sentimento dos dois lados, é quando qualquer um dos dois pode dizer, sem receio, “Eu sou amigo dele”. Para alguém com o “complexo de time pequeno”, demora um pouco até poder dizer isso. O que sabia é que aquelas pessoas ali, jantando, conversando, podiam dizer isso sem medo, pois elas eram os tais “melhores amigos”. Como disse Vinícius de Moraes, “tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. (...) A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. (...) Mas, porque não os procuro, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.” Nenhum deles estaria lendo estes pensamentos, mas enfim... deu pra entender. Poderia citar todo o texto “Amigos”, de Vinícius, mas o que é realmente o ponto de tudo isso é que, em termos de Sentimento, era especialista. Com certeza. Especialista.

-Marcos?

-Ahn? Oi? Oi!

-Você tá bem?

-É, cara, você tá todo autista aí.

-Ah, não, não, tudo bem sim. Eu só tava viajando um pouco aqui. Pensando na vida, sabe – e todos riem de novo.

-Alguma super resolução nova?

-Sempre tem alguma. Mas eu penso demais, você sabe disso. Bom, vou-me indo. Vou pra casa comer alguma coisa e dormir, que estou ficando com fome e com sono. Tchau tchau pra vocês – levantei-me, rindo, e fui saindo, ao som de xingamentos e mais risos de meus amigos.

domingo, 7 de junho de 2009

Máquina Junina, Festa do Tempo

É... Bem já disse James Taylor, "a coisa sobre o tempo é que ele não existe de verdade, é só seu ponto de vista".

Me tomou de surpresa - sublime surpresa - o fato de a maior invenção jamais inventada, o maior sonho dos cientistas românticos, a mais freqüente viagem dos escritores de ficção científica já existir, escondida sob o disfarce de algo tão ordinário.

A máquina do tempo é uma festa junina.


E ela é a prova de que JT acertou na mosca.

Este ano trouxe para mim um novo Big Bang. A minha galáxia de origem, tão lindamente construída ao longo de toda a minha vida, havia aberto espaço, dado passagem a uma nova galáxia, com potencial para ser tão plena quanto a passada.

Eis que surge, então, em meio a essa galáxia em expansão, uma festa junina, própria da galáxia passada. E ela se revela ser uma máquina do tempo que a imaginação do mais literato dos cientistas românticos jamais alcançou - uma porta, que, ao mero olhar, se abriu e me transportou instantaneamente para o passado, para quando a galáxia passada preenchia absoluta o reino da minha alma.


Tamanha instantaneidade me deixou atordoado, grogue, até mesmo alto, se preferir, dominado por um sentimento de nostalgia que regredia, tornando-se, também instantaneamente, o prazer da companhia e depois ainda a alegria eufórica do encontro. Anosluz se aglomeraram, não sem um pouco de atropelo, em um só lugar, em uma só festa junina.

As estrelas da galáxia passada, algumas também parcialmente deixadas, umas mais que outras, no passado, fizeram-se presente naquele local, brilhando mais que nunca, bastante lustradas pela saudade, mesmo (ou especialmente) as que há tempo não eram dignas de destaque. As estrelas da galáxia presente não se ofuscaram, no entanto. Apesar de (ainda) não terem se misturado a essa galáxia passada, seus brilhos atravessaram a porta da máquina e piscaram aqui e ali, lembrando-me da saudade que sinto desse futuro.


Passado... presente... futuro... Tempo... WTF?! Nada disso existe! Ou melhor: nada disso importa.

A máquina do tempo é mais que uma festa junina - é também uma epifania:

Estrelas não morrem. Não nas minhas galáxias, não no meu Universo. Sequer seus brilhos diminuem. O tempo não tem a mínima importância em meu contexto, não interessa nem mesmo se existe ou não. Cabe até uma correão na minha tradução inicial de James Taylor: The thing about time is that time isn't really real, it's just your point of view = A coisa sobre o tempo é que o tempo não é realmente real, é só seu ponto de vista.


Minhas estrelas vão brilhar absolutas sempre que eu olhar para elas.

domingo, 17 de maio de 2009

Bang

Como explicar como estou me sentindo ultimamente, após hoje especialmente........?

Look into your heart and you'll find love, love, love... Bom, pode olhar em tudo quanto é lugar também.

Você me ligou, naquela tarde vazia, e me valeu o dia... E como valeu.

You are so beautiful to me... Tão, tão, tão....!

I see friends shaking hands, saying 'how do you do?' - they're really saying 'I love you'. And I do, yes, I do.

Não, dessa vez não vou fugir da raia, não vou usar músicas. Vou falar por conta própria, sem ajuda. E sem divagar, quero algo simples, porque o que eu tô sentindo é simples, apesar da dificuldade de se moldar verbalmente.

......................

Um, dois, três, ... apertos de mão. Um abraço. E outro. Mais um... Será que algum dia já teve tantos, juntos? Ah, sim, quando está junto das estrelas...

Seriam essas, então, novas estrelas? Possivelmente... algumas absoultamente. Mas há algo de diferente nesse estar entre as estrelas. Algo novo. O ar adocicado, a confraternização de corações, a confluência de almas, o friozinho na barriga, o calorzinho na psique... tudo isso não lhe é estranho. Mas há algo novo nesse sentimento...

Novo......

Essas novas felicidades sempre surtiram efeito avassalador sobre ele. Nos períodos anuais, guiados pelo calendário escolar/social, sempre aparecia algum elemento novo que mergulhasse fundo de cabeça em sua vida. Geralmente novas pessoas, sempre o preenchiam com uma injeção de entusiasmo/ânimo/empolgação/alegria/interesse/objetivo, possibilitando-lhe que fosse pleno, completo.

Novo......

Mas também há algo de novo sobre esse impacto protagonizado pelas novidades.

Eureka!

Sempre contou com o ingresso de novos elementos grandiosos em sua vida, mas jamais contara com tantos. E juntos, ao mesmo tempo. É como uma overdose de entusiasmo/ânimo/empolgação/alegria/interesse/objetivo, associada ao indescritivelmente bom estar entre as estrelas. Uma nova constelação, surgida aparentemente do nada. Um novo e majestoso Big Bang.

É, é exatamente isso... Se sente como um novo e majestoso Big Bang.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Entre as estrelas


Era fim de tarde, ou começo de noite, não me lembro bem. Me lembro que era hora de dormir.

"A cidade dorme."

Fechei os olhos e dormi. Lembrei-me das palavras de um cartão - lindo, lindo cartão! - que havia recebido mais cedo: "veja o mundo de cima, como um brinquedo que enfeita o berço, ou melhor, como um berço que enfeita o brinquedo. E me conta como é estar entre as estrelas!".

Dormi e sonhei. Estava em um lugar muito agradável, tão lindo...! Samambaias penduradas brincavam de teatro de sombras com o crepúsculo, e uma brisa fresca de inverno fazia se encolherem as figuras que ali, em roda, conversavam, brincavam, eram felizes.

Quem eram aquelas figuras eu não saberia dizer, não conseguia lhes prestar qualquer atenção aos rostos: o calor que aquele ambiente trazia ao meu coração me entretia demais por si só.

Fiquei a observar aquela cena por um tempo. Muito, pouco, não importava. Via lampejos de sorrisos, ouvia o farfalhar de risadas, sentia o calor de carinhos. Fiquei calado, apreciando aquela sinfonia de silêncio e de som, me sentindo feliz simplesmente por estar ali.

"A cidade acorda."

Não sei se abri os olhos ou não, se acordei ou continuei dormindo. As palavras eram só mais uma parte da sinfonia, e eu continuava por demais entretido com ela. Os rostos agora eram visíveis, familiares, queridos. O resto continuava o mesmo.

Sonhando ou não, me sentia nas nuvens, flutuando no céu, vendo as estrelas brincando, admirando a vista de cima do mundo, como um berço que enfeita o brinquedo... É fácil admirar as estrelas quando se está junto delas.